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Luz, câmera, sertão!

No decorrer da história, diversos foram os filmes e documentários realizados em torno da vida do sertanejo e as agruras de sua morada. O sertão presenciou romances, dramas, tragédias, risos e lágrimas. Portanto, na edição de hoje, trouxemos algumas indicações de obras cinematográficas imperdíveis para você que aprecia a cultura e a história desse lugar que brilha e queima a pele e a alma de quem por lá passa.

 

– O Auto da Compadecida, 2000
As peripécias de João Grilo e Chicó no sertão da Paraíba ganharam o coração dos brasileiros – e dos estrangeiros, também – com todo o bom humor em meio à difícil vida que viviam nas terras áridas do interior. Fruto da mente genial de Ariano Suassuna, a obra teatral tornou-se filme que foi lançado nos anos 2000. Dirigido por Guel Arraes, ganhou diversas premiações e virou ícone do cinema brasileiro. Com elementos tradicionais da cultura nordestina como o cangaço e o tradicionalismo oriundo dos dogmas religiosos do catolicismo, a comédia dramática narra questionamentos como a justiça, a vida e a morte pelo olhar de personagens diversos, que têm seus destinos cruzados e determinados por acontecimentos ocasionados por escolhas de João e Chicó. Uma das principais cenas conta com o protagonismo da atriz Fernanda Montenegro como Nossa Senhora, no julgamento daqueles que morreram e agora estavam entre o ‘céu e o inferno’, literalmente. É para rir, chorar, aprender e nunca mais esquecer.

 

– Bacurau, 2019
Quando um pequeno povoado do interior de Pernambuco começa a notar algo de diferente acontecendo na pacata rotina do lugarejo, a união de forças de todos do povo que se ajuda se fazendo quase família uns dos outros mostra que nada – nem ninguém – é capaz de combater a força dessas pessoas que entendem muito bem de lutas em seu viver.
Em um lugar onde tudo é conhecido, a tecnologia chega de forma repentina e junto com ela, mortes e presenças inéditas de turistas. Quando descobrem que o inimigo é estrangeiro e que estão pondo à prova sua inteligência e capacidade de defesa, mostram o paradoxo da ignorância intelectual sobre a tecnologia e que, quando o assunto é vida ou morte, guerra ou paz, o que garante a vitória não é aprendido nas escolas tradicionais mas sim, nas aulas da vida.


– Estou me guardando para quando o carnaval chegar, 2019
O Documentário acompanha a vida dos trabalhadores da cidade de Toritama, no interior de Pernambuco. Lá, onde acontece a maior fabricação de jeans do país, está o centro ativo do capitalismo regional. O comércio que gira nacionalmente tem início nessa cidade rural, quente durante o dia e fria durante à noite. São mais de 20 milhões de peças em jeans produzidos anualmente em fábricas caseiras, por mãos de famílias que trabalham o ano inteiro – menos no carnaval, quando tiram a semana de folga e se deslocam para curtir as praias paradisíacas da orla pernambucana.
Com cenas in loco da atuação dos trabalhadores e suas rotinas nas fábricas, é surpreendente e inspiradora a força e a dedicação dessas pessoas sem educação formal que vivem uma realidade miserável. Esses operários são quase pessoas-máquinas, trabalhando ate dezesseis horas por dia numa atividade que, para muitos, seria maçante e exaustiva. Para eles, que trabalham muitas vezes com o sorriso estampado no rosto, é a melhor (quiçá a única) opção que eles dispõem para ganhar a vida.
Os registros geram diversas reflexões sociais quanto ao estilo de vida e à disparidade socioeconômica que molda o destino dessas pessoas que têm, no período do carnaval, muito mais do que um período de folia e diversão: seu momento de recompensa e descanso, ou talvez de vida plena e verdadeira.

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